Já ouviram falar na Crise dos 25?
Besteira total, foi o que eu sempre pensei.
E agora tudo parece fazer algum sentido. Que tenso!
"Jovens vivem a crise dos 25
Eles estão inseguros em relação ao futuro e insatisfeitos com o presente. Termo surgiu nos EUA no início do século
Até pouco tempo atrás, Daniel e Lívia estavam
perdidos, inseguros e confusos. Jovens, de boas famílias, bem educados e
conscientes do quanto o mundo pode oferecer a eles, não conseguiam se
decidir sobre qual caminho seguir. Falta de maturidade? Talvez. Os dois,
como milhões de outros jovens nascidos entre o final da década de 1970 e
final da de 1980, sofreram da crise dos 25.
A crise dos 40 se dá
quando a pessoa, já madura, questiona o rumo dado à vida e se lamenta
de não ter conseguido realizar os sonhos de juventude. Já a dos 25
antecipa essas angústias quando o jovem, vendo um mundo de opções
atraentes, hesita em fazer a melhor escolha. Afinal, o que é melhor:
comprar um carro ou viajar para o exterior? Casar, namorar ou curtir a
vida de solteiro? Fazer especialização, um MBA no exterior, ou se
dedicar ao emprego e juntar o máximo de dinheiro possível? Ou, melhor
mesmo, seria prolongar a adolescência e ficar pulando de curso em curso
na universidade?
O termo Quarterlife Crisis, ou crise de um
quarto de século ( tradução livre), criado no começo do século 21 nos
Estados Unidos, foi popularizado no livro A Crise dos 25, de Alexandra
Robbins e Abby Wilner.
A situação também aparece em filmes como
Encontros e Desencontros, e na música Why Georgia, de John Meyer. Todos
tentam traduzir essa transição para a vida adulta.
Há pouco mais
de 30 anos, essa transição era mais fácil, diz a psicóloga Denise Pará
Diniz, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A geração dos
pais da garotada de hoje tinha menos escolhas. A trajetória era mais
definida: conseguir um emprego que desse estabilidade necessária para o
casamento e os filhos. “A pessoa ia meio que no automático”, diz Denise.
Hoje,
as opções são completamente diferentes. “Os jovens adultos do século 21
cresceram em um ambiente infinitamente mais complexo e tornaram-se bem
mais exigentes”, argumentam os autores no livro.
Nesse meio, o
casamento não é visto como algo vitalício. Ter filhos vem depois da
estabilização na carreira e da realização de sonhos como conhecer o
mundo e curtir a vida. E a carreira não é apenas a forma de obter
dinheiro - mas satisfação pessoal.
A psicóloga Lulli Milman, da
Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), especialista no
atendimento a jovens, diz que o indivíduo também enfrenta a pressão por
uma vida perfeita. “No mundo contemporâneo, é preciso ter tudo. Tudo
deve ser maravilhoso, senão a pessoa é vista e se vê como uma
fracassada.”
De quem é a culpa? Os pais teriam falhado ao
oferecer de tudo aos filhos e sem exigir algo em troca? Pagar MBA ou as
férias, em si, não é ruim. “Batalhamos para dar aos nossos filhos coisas
que os nossos pais não deram”, diz Denise, mãe de um rapaz de 25 anos.
“Mas os nossos pais fizeram algo que muitos pais não fazem hoje:
conversar com os filhos sobre a realidade.” Ao contrário, apelam à super
proteção, o que posterga problemas que um dia virão.
Como
resultado, os jovens estariam relutando em assumir responsabilidades .
“É comum jovens que vêm à clínica dizendo que não têm ideia de como se
imaginam em alguns anos”, conta Lulli. “Eu forço eles a dizer algo como
‘ser garçom em Londres’, ‘subir o monte Everest’, mas eles não conseguem
falar.” Aí, vem a sentença fatal: “Muita gente hoje não tem perspectiva
de futuro”.
Se alguns falham na hora de imaginar os sonhos,
outros temem em assumir escolhas: ou ficam estagnados ou estão sempre
mudando. “Essa fase dos 25 anos é uma época de escolhas, mas não se pode
patinar nas decisões”, afirma Denise. O problema é que a tomada de
decisões implica algumas perdas. “Sempre que se escolhe alguma coisa, se
perde outras. A vida é assim porque não dá para ter tudo junto.”
Resgatado pelo social
Dinheiro
nunca foi importante para o americano Daniel Brett, que completa 25
anos no mês que vem. Aos 23, formado em Economia, ganhava US$ 30 por
hora em um escritório de São Francisco. Morando com os pais, seguia rumo
ao american dream - ganhar o primeiro milhão de dólares até os 30 anos.
Ficar preso em uma sala não era, porém, vida para ele. “Não via
propósito nisso”, relembra. “Comecei a questionar o que eu queria, mas
estava completamente perdido.” Ao ler o livro Na Natureza Selvagem, que
narra a história de Chris McCandless, o jovem que, em 1990, doou a
poupança de US$ 24 mil e se tornou andarilho nos EUA até morrer no
Alasca dois anos depois (a história ganhou versão cinematográfica),
pensou em seguir a vida errante. Preferiu fazer serviço social na Índia,
onde dava aulas para crianças carentes. Voltou para casa após dois
meses.
Pensou em conhecer a América do Sul. Comprou passagem de ida
para a Colômbia e seguiu para a Argentina. “Pensei que eu poderia dar
aulas de inglês.” Mas, até chegar a Buenos Aires, ainda não tinha
certeza do que queria. Leu o livro O Banqueiro dos Pobres, em que o
indiano Muhammad Yunus conta sobre a fundação de um banco que empresta
dinheiro (sem garantias) aos pobres. Hoje, Brett pesquisa o impacto
ambiental da pesca de salmão no Chile. Em 2010, quer morar no Brasil
para trabalhar com pessoas carentes. “Hoje, me sinto mais seguro.”
Qual sonho eu devo escolher?
A
designer de moda Lívia Fonseca de Freitas, 27, é extrovertida,
descolada e decidida: em janeiro, deixou São Paulo para estudar em
Milão. “Sempre senti que o Brasil não era o meu lugar.” Ela também não
hesitou em abandonar o emprego - trabalhava para o estilista Rogério
Figueiredo, que faz vestidos de festa para socialites e celebridades.
“Era bacana, gostava muito de lá, mas não ganhava (salário) de acordo
com as minhas qualificações.” A autoconfiança dela para por aí. Lívia
tem vários pontos de interrogações na cabeça. Um deles é sobre o grande
dilema de muitas mulheres: até que ponto vale a pena investir na
carreira e deixar de lado casamento e filhos? “Deixei o Brasil porque,
se não mudasse, continuaria na mesma vida até casar e ter filhos”, diz.
“Mas também quero ter uma família. Aí fica um peso. Será que não dá para
ter os dois?” Outro receio é na vida profissional. Apesar de estar
cursando Master em Fashion Designer na capital mundial da moda, está
desempregada, o que aumenta a insegurança. “Estou estudando, realizando
um sonho, mas e aí? O que vem depois? Fico com medo... Vou ser
bem-sucedida?” Assim como Lívia, nem ninguém tem essa resposta. Ela fala
sobre os planos e, em seguida, hesita de novo: “Será que eu estou
fazendo as escolhas certas?”
TODO JOVEM DEVE SABER
Os conselhos das psicólogas Denise Pará Diniz e Lulli Milman para os jovens:
A vida se constrói por etapas. Ninguém consegue ter tudo o que quer de uma vez
Sonhar é bom. Arriscar, idem. Mas insistir em metas irrealizáveis é um erro
Sempre é possível recomeçar
Experiências existem para serem vividas. Se boas, ótimo. Se ruins, aprenda com elas
Escutar pais, amigos ou modelos é bom e saudável. Mas quem faz escolhas é você
Na vida, existem direitos... e deveres"
Fonte: http://www.jt.com.br/editorias/2009/10/11/ger-1.94.4.20091011.11.1.xml